Etapa 2 – Relatório 12

13.FEV.2003

Olá amigos, acabo de concluir a segunda etapa da Volta ao Mundo. Essa etapa começou em Sydney, Austrália – jun 2002, e terminou em Bangkok, Tailândia – fev 2003. Durante os últimos oito messes pedalei sete mil km e passei por dois continentes, Oceania e Ásia.

Neste percurso visitei vários locais importantes por sua história e geografia: a barreira de corais na Austrália, o recém-independente Timor Leste, as cidades Surabaya, Jacarta e Málaca na Indonésia e Malásia – importantes portos da Cia das Índias Orientais – , tribos do norte da Tailândia, países da indochina – Laos e Camboja – rio Mekong e as ruínas de Angkor Wat do antigo império Khmer.

Os locais que foram importantes portos durante a Cia das Índias Orientais seguem sendo ativos entrepostos comerciais. Alguns países se transformaram em grande potência econômica e são conhecidos como Tigres Asiáticos, como Cingapura, Malásia, Tailândia e Indonésia. Mesmo com a crise financeira de 1997 dois desses países me surpreenderam pela forte economia. Cingapura não pude passar pois é o país mais caro de toda região e Malásia foi onde consegui importantes apoios para o projeto.

Foi uma etapa de grande diversidade cultural e religiosa. Encontrei um pouco de Catolicismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo, Siquismo, entre outras. Vi lugares onde todos vivem bem com essas diversidades e outros lugares onde isso é razão para muitos problemas.

Tive momentos de sorte e escapei de algumas confusões que ocorreram pela região nos últimos meses. Estive um mês antes no local da explosão em Bali, recebemos a notícia que um casal de ciclistas foi assassinado exatamente onde estávamos semanas antes em Laos e atravessamos de Camboja para Tailândia dias antes de fecharem a fronteira por causa de protestos nacionalistas entre os dois países. Tirando esses incidentes a pedalada foi bastante tranquila.

Nenhum desses problemas dificultou a viagem tanto quanto a crise do dólar no Brasil. A viagem passou por momentos difíceis! Felizmente consegui novos parceiros, a T-Bolt Mountain Bike by Proton Edar e a Telsan Engenharia, que possibilitaram que o projeto seguisse em frente. Obrigado! Aproveito para agradecer também aos que estão juntos desde o início da viagem. Obrigado Cultura Inglesa, Atex Lajes Nervuradas, Solnet Serviços On Line, BHZ Arquitetura, Prudential, Rotary Club, Embaixadas do Brasil no percurso e todos que estão me dando força.

Os últimos dias foram de “aventuras burocráticas” e sem grandes novidades. Ficamos em Bangkok resolvendo a interminável papelada para retirar a nova bicicleta da alfândega, fazendo seguro saúde e vistos. No final tudo deu certo e agora seguirei com a nova bicicleta que a T-Bolt fez especialmente para a viagem.

Eu e Alexandra em Bangkok com a bicicleta nova

A já mudada rota inicial segue em transformação. Infelizmente não passaremos por Mianmar e Bangladesh por causa de restrições e burocracias. A ditadura militar de Mianmar não permite que alguém entre ou saia do país pedalando. Na verdade eles não gostam de nenhum tipo de turismo. O negócio deles é produzir heroína e não gostam de niguém transitando e tirando fotos. A solução foi atravessar o país voando e a opção mais viável é ir para Calcutá, fronteira da Índia com Bangladesh.

Agora, junto com a companheira alemã Alexandra, começaremos a terceira etapa – A Rota da Seda. De Calcutá pretendemos pedalar em direção à Europa. Nesse trecho estamos dependendo de como estará a nova guerra americana ir planejando nosso caminho.

Grande abraço,
Argus

“Não adianta você sonhar se você não lutar.

Daqui a vinte anos você estará mais desapontado pelas coisas que você não fez do que pelas que fez. Então expanda-se. Navegue para longe do porto seguro. Pegue os ventos de mudança em sua viagem. Explore. Sonhe. Descubra.”
Mark Twain